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Sul 21 – Retirada de tropas do Iraque é para eleitor ver, dizem especialistas

Sul 21 – Retirada de tropas do Iraque é para eleitor ver, dizem especialistas

Os Estados Unidos anunciaram na última quinta-feira (15) a saída de suas últimas tropas de solo iraquiano. A medida, de acordo com especialistas, é principalmente um ato político, visando cumprir a promessa que o presidente Barack Obama fez antes de ser eleito. A influência do país sobre o Iraque continuará sendo enorme. A redução de gastos pelo governo estadunidense é também um motivo aparente, mas a retirada das tropas do front também dá maior margem para acreditar que está sendo preparada a invasão do Irã. (…)

Consultor em política internacional pelo Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI), Marcelo Suano elenca os mesmos motivos que Lucas Kerr. “É um comportamento político, o cumprimento de uma promessa de campanha. O Iraque está se reorganizando, mas isto não muda a necessidade de tropas ali, para a segurança da região e para a defesa dos interesses norte-americanos”, diz.

Suano ressalta que China e Irã já sinalizam uma aproximação com o Iraque, o que certamente os EUA tentarão impedir. “Eles investiram mais de US$ 1 trilhão no Iraque, vão deixar a China e o Irã se aproximar? Não tem sentido para os EUA essa saída das tropas. Sempre haverá bases no Iraque e esta retirada poderá ser revista em breve, se julgarem necessário”, diz.

Retirada pode apontar nova guerra

Como Kerr, Marcelo Suano também ressalta as questões econômicas que motivam a retirada das tropas. “Não só os EUA, mas também os países europeus retiraram soldados. O custo de manter tropas em solo estrangeiro é altíssimo. E estes países todos estão quebrados”, diz. Entretanto, a retirada norte-americana também pode ser um indício de que gastos ainda maiores com guerra estão por vir. “A redução vai permitir equilibrar as contas, mas há pressões por novas guerras. Caso os EUA estejam planejando uma guerra para o ano que vem faz sentido retirar-se do Iraque, onde pode ser facilmente alvejado pelos iranianos”, alerta Lucas Kerr.

Kerr ressalta que, se Obama foi eleito em boa parte por um eleitorado pacifista, há também uma fatia expressiva dos Democratas que defende Israel até debaixo d’água. O diretor do Isape qualifica um grupo forte no partido como “belicista”, incluindo-se aí a secretária de Estado, Hillary Clinton. “É difícil avaliar se as forças que defendem a guerra com o Irã estão vencendo”, ressalta.

Suano também enxerga na retirada do Iraque um possível sinal de guerra à vista. “Se os EUA pensam em uma guerra faz sentido retirar tropas cansadas da região e depois levar soldados descansados, com o comando de veteranos pelo conhecimento que têm do local”.

Com concessões a estrangeiros, petróleo é o setor que mais se recupera

(…)

Marcelo Suano vê a expansão da exportação de petróleo no Iraque como um sinal de recuperação da economia do país. Ele destaca que sem o regime de Saddam Hussein o país passou a negociar sem as restrições internacionais que lhe eram impostas e que hoje o país tem subido no ranking de exportadores de petróleo. “Agora, o mundo inteiro está comprando o petróleo iraquiano”.

O consultor em política internacional afirma que o capital está sendo reinvestido em parte no país. “Pelo que está sendo disseminado na mídia, parte do dinheiro está sendo revertido para o Iraque, até porque era uma das coisas que mais se jogava na cara, que não se podia fazer a guerra e depois não investir no país. Mas o dinheiro também vai para outros lugares. Hoje, o capital não tem pátria”, diz. (…)

Iraque vive processo de fragmentação política

Marcelo Suano concorda com Kerr de que há uma fragmentação e vê isto como a consequência da queda de Saddam. “Sempre que cai um regime autoritário você tem a fragmentação como consequência, porque as minorias começam a poder se expressar”, diz. Suano ressalta, porém, que o Iraque ainda não conseguiu consolidar uma democracia, mesmo que não aos moldes ocidentais, por falta de instituições que deem mais poder à sociedade, diminuindo o poder do Estado ou da ação individual de lideranças religiosas e políticas. “A saída dos EUA pode estimular o fortalecimento da democracia no Iraque, desde que a sociedade organize estas instituições”, afirma.

Ver Reportagem Completa em: http://sul21.com.br/jornal/2011/12/retirada-de-tropas-do-iraque-e-para-eleitor-ver-dizem-especialistas/

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